quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A ilusão do reflexo


A ilusão do reflexo

Conta-se que um pai deu a sua filha um colar de diamantes de alto preço. Misteriosamente, alguns dias depois o colar desapareceu. Falou-se que poderia ter sido furtado. Outros afirmaram que talvez um pássaro tivesse sido atraído pelo seu brilho e o levado embora. Fosse como fosse, o pai desejava ter o colar de volta e ofereceu uma grande recompensa a quem o devolvesse: R$ 50.000,00.
A notícia se espalhou e, naturalmente, todos passaram a desejar encontrar o tal colar. Um rapaz que passava por um lago, próximo a uma área industrial, viu um brilho no lago. Colocou a mão para proteger os olhos do sol e certificou-se: era o colar.
O lago, entretanto, era muito sujo, poluído, e cheirava mal. O rapaz pensou na recompensa. Vencendo o nojo, colocou a mão no lago, tentando apanhar a jóia. Pareceu pegá-la, mas sentiu escapulir das suas mãos. Tentou outra vez. Outra mais. Sem sucesso. Resolveu entrar no lago. Emporcalhou toda sua calça e mergulhou o braço inteiro no lago. Ainda sem sucesso. O colar estava ali. Mas ele não conseguia agarrá-lo. Toda vez que mergulhava o braço, ele parecia sumir.
Saiu do lago e estava desistindo, quando o brilho do colar o atraiu outra vez. Decidiu mergulhar de corpo inteiro. Ficou imundo, cheirando mal. E ainda nada conseguiu. Deprimido por não conseguir apanhar o colar e conseqüentemente, a recompensa polpuda, estava se retirando, quando um velho passou por ali.
O que está fazendo, meu rapaz?
O moço desconfiou dele e não quis dizer qual o seu objetivo. Afinal, aquele homem poderia conseguir apanhar o colar e ficar com o dinheiro da recompensa. O velho tornou a perguntar, e prometeu não contar a ninguém.
Considerando que não conseguia mesmo apanhar o colar, cansado, irritado pelo fracasso, o rapaz falou do seu objetivo frustrado. Um largo sorriso desenhou-se no rosto do interlocutor.
Seria interessante, falou em seguida, que você olhasse para cima, em vez de somente para dentro do lago. Surpreso, o moço fez o recomendado. E lá, entre os galhos da árvore, estava o colar brilhando ao sol. O que o rapaz via no lago era o reflexo dele.

Finalizando para Recomeçar!
A felicidade material se assemelha ao reflexo do colar no lago imundo. Na conquista de posses efêmeras, quase sempre mergulhamos no lodo das paixões inconseqüentes. A verdadeira felicidade, no entanto, não está nas posses materiais, nem no gozo dos prazeres. Ela reside na intimidade do ser. Nada ruim em se desejar e batalhar por uma casa melhor, um bom carro, roupas adequadas às estações, uma refeição deliciosa. Nada ruim em desejar termos coisas. A forma como as conquistamos é que fará a grande diferença.
Se para as conseguir, necessitamos entrar no lodaçal da corrupção, da mentira, da indignidade, somente sairemos enlameados, e infelizes.
Esse tipo de felicidade é como o reflexo do colar na água: pura ilusão.
Somente existe verdadeira felicidade nas conquistas que a honra dignifica, que a consciência não nos acusa.
Pensemos nisso. E, antes de sairmos à cata desesperada de valores materiais expressivos, analisemos o que necessitamos dar em troca.
Porque nada vale que mereça sacrificar a honra, a dignidade pessoal, a auto-estima, a vida espiritual. Tudo é passageiro na Terra. Lembre disso.


¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E -  com base em conto de autoria desconhecida.
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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Eu sei que amanhã vai passar, mas hoje está doendo muito…


Eu sei que amanhã vai passar, mas hoje está doendo muito…


Nossa primeira reação ao ver uma pessoa querida sofrendo é tentar lhe transmitir esperança, no sentido de confortar a sua dor. Para isso, costumamos encorajá-la a olhar para o futuro, dizendo-lhe que aquilo tudo tem algum propósito e ela ainda haverá de entender, que tudo o que nos acontece é útil e necessário, entre outras palavras de conforto.
Muitas vezes, porém, não queremos ouvir ninguém nos dizendo que aquilo vai passar, que amanhã será um novo dia, que temos de ser persistentes, pois sairemos mais fortes daquilo tudo. Queremos apenas que alguém entenda a nossa dor e nos deixe sentir todo o amargor daquele momento doído, alguém que nos permita ser fracos e inseguros naquele instante, permanecendo ao nosso lado, se possível com um silêncio que acolha e transmita compreensão.
Todos sabemos que os tombos nos fortalecem e trazem aprendizados importantes ao nosso amadurecimento pessoal. Também sabemos que o tempo ameniza o sofrimento e traz novas esperanças, novos motivos para continuarmos sonhando nossos ideais de vida. Porém, no momento em que estivermos imersos na escuridão inconsolável, sentindo-nos a pior das pessoas, muito pouco nos adiantarão quaisquer palavras que tratem do futuro, porque o hoje estará nos aniquilando.
Isso não quer dizer que não precisaremos de gente ao nosso lado nos dando forças durante nossas misérias emocionais; isso quer dizer que precisaremos de alguém que, antes de tudo, demonstre entender o que estamos sentindo e nos permita passar por aquilo, até que o fundo do poço não mais nos caiba. Quem sofre precisa de consolo empático, precisa saber que o outro entende e vai deixá-lo sofrer o que tiver que ser seu até que consiga expulsar aquilo tudo de sua vida.
Então, quando as nuvens começarem a se dissipar, quando os raios de sol conseguirem alcançar o rosto de quem padecia na escuridão, aquele que esteve ali ao seu lado fará toda a diferença, ajudando-o a voltar ao caminho de ida, à jornada de busca da felicidade que com certeza ainda estará por vir. Caminhar junto é preciso, mas saber a quem dar as mãos enquanto se constroem os sonhos que sustentarão essa jornada determinará a qualidade de vida e de amor que levaremos em nossos corações.


¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : Marcel Camargo / Copyright 2016 by Psiconlinews.
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Livro de Referência: livro Nossos filhos são Espíritos, Hermínio  Miranda, ed. Arte e cultura.





quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Homens de sabedoria


Homens de sabedoria

No primeiro livro bíblico de Reis, se encontra a narrativa de que Salomão sucedeu a seu pai Davi, no trono de Israel.
Como ainda não havia sido construído o templo em Jerusalém, Salomão oferecia sacrifícios e queimava incenso nos lugares altos, o que o fez ir a Gabaon, localidade situada a cerca de onze quilômetros a noroeste de Jerusalém.
Ali Moisés construíra o tabernáculo sagrado ou tenda de reunião e, por isso era venerado, pelo povo de Israel, como o lugar alto mais importante.
E foi nesse local, depois de ter orado muito ao Deus de Israel, que Salomão teve um sonho, em que lhe apareceu Yaweh e lhe disse: Pede-me o que queres que eu te darei.
A nota é interessante pois nos diz que para conseguirmos o contato com seres superiores, necessitamos da oração que eleva a mente e o coração.
A resposta do rei foi nos seguintes termos: Tu mostraste grande benevolência para com teu servo Davi, meu Pai. Tu lhe deste um filho para se sentar no seu trono.
Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. Este servo está no meio do Teu povo, tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá-me, pois, um coração obediente, capaz de governar Teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, como poderei governar este Teu povo tão numeroso?
Prossegue a narrativa no sentido de que o pedido de Salomão, que demonstrava a preocupação do governante com os que eram a sua grave responsabilidade, teve como resposta do Senhor:
Desde que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido.
Dou-te um coração sábio e inteligente. E dou-te também o que não pediste: as riquezas e a glória, de tal modo que não haverá teu igual entre os reis durante toda a tua vida.
Verdadeiramente, Salomão passou para a História como um rei de sabedoria e prudência extraordinárias. Seu coração é descrito como magnânimo como a areia das praias do mar e sua sabedoria como superior a de todos os homens.
Finalizando para Recomeçar!
Sabedoria é algo que todo homem apreciaria possuir. É um certo conjunto de inteligência e paciência, ou seja,  sábio é aquele que tem paciência diante das situações e inteligência para agir.
É aquele que decide corretamente, sempre respeitando a moral, a ética e os costumes.
Agir com sabedoria pode ser sinônimo de fazer o certo na hora certa; respeitar o pensamento alheio; ser gentil para com as pessoas; ser humilde; tratar o outro como gostaria de ser tratado; enxergar o seu entorno e, das situações mais adversas, extrair as melhores lições.
Nos dias atuais, se faz de importância perseguir a sabedoria, essa capacidade que faculta o juízo reto sobre os homens e as coisas.
Homens de sabedoria são bondosos e benevolentes para com os seus semelhantes. Não são movidos pelo orgulho, nem pelo egoísmo ou ambição. E fazem o bem pelo bem. Persigamos essa virtude.

Refletindo com Edu!

¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E - Em 4.9.2014.
³ Fonte imagem : http://www.intercambio7.com.br/sims-e-naos-para-seu-intercambio.jpg



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A Síndrome da Enfermeira: Mulheres que Preferem Homens ”Mal Resolvidos”




A Síndrome da Enfermeira: Mulheres que Preferem Homens ”Mal Resolvidos”


Marine tem 27 anos, é diretora financeira de uma loja de departamentos em Paris e sofre pela síndrome da enfermeira. A patologia consiste em se apaixonar por homens ”doentes” ou mal-sucedidos na vida e tentar curá-los, o que geralmente não acontece. Ela teve um caso com um cleptomaníaco, essa relação durou seis meses e acabou com uma ligação por telefone; depois disso teve uma relação com um homem de 38 anos, com quem ficou durante umas três semanas e também acabou tragicamente; depois conheceu um homem no hospital que havia tido uma overdose, passou apenas duas horas com ele e já se sentia totalmente apaixonada.


O filósofo e psicoterapeuta Nicole Prieur diz que essa vontade de querer salvar o outro é uma característica bastante feminina e amplamente compartilhada: No inicio dos relacionamentos elas geralmente tentam consertar algo que, do ponto de vista delas, está errado no parceiro. Mas não se alarme, isso é normal, não é raro que tenhamos um ou outro relacionamento ruim de vez em quando, no entanto, se isso se repetir com frequência é bom que você avalie melhor a qualidade dos seus relacionamentos.
Se as suas histórias de amor sempre terminam mal, talvez seja porque você sempre repete inconscientemente o mesmo cenário em todas as suas relações. Não se preocupe, isso é algo comum e acontece com várias pessoas. Não percebemos, mas isso faz parte de nós desde a infância, o importante é identificar esse “script” e quebrar esse padrão inconsciente que você está reproduzindo para que possa mudar os papeis e finalmente se livrar desse tipo de relacionamento.
Geralmente o sofrimento é recíproco nesse tipo de relacionamento. Ao tentar ”ajudar” o outro, essas mulheres estão também tentando se ajudar. Elas não tentam ”salvar” o parceiro por um motivo qualquer, geralmente se sentem atraídas por um problema específico: uma ferida de infância, uma personalidade melancólica ou até mesmo problemas psicológicos. Elas tentam curar os parceiros de um mal que elas mesmas sofrem, tentam ajudá-los numa tentativa de superar seus próprios traumas.
Quando Laurence, de 54 anos, conheceu François, de 50, ela não imaginava que ele já vinha lutando contra o vício em drogas há mais de dez anos, mas depois de algumas semanas ela percebeu que François tinha um problema e não se assustou com isso, pelo contrário, se sentiu cheia de energias e prestes a mover montanhas para ajudá-lo. Ela conversou com ele e fez um longo discurso tentando convencê-lo a parar com o vício. Ela o obrigou a seguir um tratamento de desintoxicação, foi até a farmácia onde ele trabalhava e avisou a todos os funcionários para que não fornecessem qualquer tipo de medicamento a ele. Ele não recusou a ajuda, mas sempre achava uma maneira de se drogar. Aos poucos foi se afundando cada vez mais, até que um dia deixou uma carta de despedida dizendo que a entendia, mas que não conseguiria mais continuar na relação. Laurence nunca mais viu o homem que tanto amava e, por fim, acabou em depressão. Não saía mais da cama e percebeu que desde sempre tentou ”salvar” as pessoas próximas a ela, fez isso com o seu pai que morreu de overdose aos 57 anos, com o seu primeiro namorado e assim sucessivamente com os demais relacionamentos que se seguiram.
O psiquiatra e psicanalista Didier Lauru fala que existe uma espécie de “tentativa terapêutica” na relação. Isso geralmente não tem a ver com pena, as mulheres começam a ser compreensivas e generosas, começam a fazer de tudo na tentativa de ajudar o parceiro, mas vão contra a vontade deles. Apesar do senso de humildade e abnegação delas, as suas motivações inconscientes são, na realidade, um desejo não-admitido de ser a heroína que salvou um ”homem fracassado”. Geralmente esse desejo de servir está ligado a uma falta de confiança, e é necessário que esse aspecto seja trabalhado, do contrário, os outros relacionamentos seguirão sempre o mesmo padrão e, provavelmente, também acabarão mal.
Isabelle tem 36 anos e é tradutora, sempre fez de tudo pelo homem que amava: comprou um computador para ele quando ele decidiu escrever um romance, pagou um curso de redação quando ele decidiu ser redator de um jornal, apresentou-o a amigos quando ele quis escrever roteiros, o problema é que ele nunca terminava nada que começava e nunca a agradeceu por nada disso. No começo ela se sentia ”poderosa” por estar fazendo de tudo pelo casal, mas quando se separaram passou a se sentir totalmente vazia, triste e sem interesse por nada. Ficou arrasada.
Nicole Prieur recebe muitas pessoas com “síndrome da enfermeira”, são pessoas que procuram ajuda por estarem se sentindo devastadas e desamparadas após sucessivos fracassos. Ele salienta que, inicialmente, elas acreditam que o que estão fazendo é algo importante para ambos na relação. Se sentem como um porto seguro, um pilar para o parceiro. Muitas vezes elas não tiveram essa experiência na infância, de poder contar com alguma pessoa que as amassem e tentam preencher esse vazio com esse tipo de relacionamento.
Eles não duram muito tempo, pois é impossível mudar alguém que ainda não tenha tomado esta decisão. No final elas acabam com a terrível sensação de terem feito papel de idiota e não terem vivido a história de amor que gostariam. Deram tudo de si e ainda se culpam pelo fim da relação.
Elas insistem porque a relação não é ruim o tempo todo. Há momentos bons, demonstrações de afeto, momentos de ternura, palavras gentis, e o mais importante: existe amor envolvido. Laurence disse que insistia no relacionamento porque várias vezes François havia tentado parar de usar drogas por ela, mas apesar das tentativas de salvar o seu amor, ele sempre recaía no vício.

Você pode ter a síndrome da enfermeira?
Como você gosta de um relacionamento? Você gosta de proximidade ou fica bem com a distância? Você tem necessidade de se sentir protegida ou da aceitação do outro?
Em um de seus mais belos textos, intitulado Além do Princípio do Prazer, Freud analisa essa repetição neurótica de cenas e situações nas quais tentamos reparar e superar os obstáculos que tropeçamos dolorosamente na infância. É importante que você saiba que cuidar do outro não irá preencher as suas lacunas e rachaduras. Geralmente o relacionamento dá errado e ambos sofrem com isso. É necessário que haja uma mudança de perspectiva e nem sempre vamos conseguir fazer isso sozinho, por isso um acompanhamento psicoterapêutico é importante, mas a escolha é sempre sua.
Marine, de 48 anos, após quinze anos de relacionamento com um alcoólatra, e mais alguns anos com um homem violento e depressivo, encontrou Marc, um designer gráfico. Ele tinha traços suaves e delicados. Ele era exatamente o oposto dos homens que ela havia namorado anteriormente, tinha uma personalidade oposta. Ambos tinham rupturas dolorosas e isso a ajudou a pensar sobre a sua própria história, principalmente a adolescência, que foi marcada por uma ligação muito traumática com um dos seus primos, que era muito violento. Este relacionamento com Marc resolveu tudo, ambos cresceram juntos. Eu não tentei consertar nada nele, não precisava disso, e finalmente consegui acabar com o prazer que via em tentar findar o sofrimento aheio.


¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : Fonte: Psychologies traduzido e adaptado por Psiconlinews
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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Heroínas


Heroínas

Heroína – substantivo. Feminino de herói. Quer dizer: pessoa extraordinária por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade.
O Brasil tem suas heroínas. Algumas que se destacaram por sua coragem de perseguir seus próprios sonhos, vencendo num mundo de homens.
Guerreiras outras, como a catarinense Anita Garibaldi, que viveu no século XIX. Durante a Revolução Farroupilha, no então Estado de São Pedro do Rio Grande do Sul, ela se uniu a Giuseppe Garibaldi, que a introduziu na revolução.
Lutou no Brasil. Depois, lutou pela unificação e libertação da Itália, morrendo antes de completar trinta anos.
Ou como Maria Quitéria Medeiros que, nas lutas pela Independência do nosso país, tomou o uniforme de soldado e se alistou com nome masculino.
Quando, dias depois, foi encontrada pelo pai, o oficial não permitiu que ela fosse por ele levada de volta para casa.
Ela era um soldado de valor e um exemplo de bravura. Chegou a ser promovida a alferes.
Quando finalmente, foi dispensada, recebeu uma carta de recomendação do próprio Imperador, a fim de que não viesse a sofrer qualquer sanção por parte do pai.
Mulheres. Heroínas. Como Zilda Arns, promotora da paz. Médica pediatra e sanitarista, fundadora da Pastoral da criança e da pessoa idosa.
Uma ideia geradora movia sua ação, copiada da prática de Jesus: multiplicar.
Não pães e peixes, como Ele fez, mas multiplicar o saber, a solidariedade e os esforços.
Multiplicar o saber, repassando às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a alimentação adequada.
Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve alcançar as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai. Tentar salvar a criança desnutrida, quase agonizante.
Multiplicar esforços, envolvendo políticas públicas, ONGs, grupos de base, empresas. Enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem.
Mas, antes de tudo, multiplicar a boa vontade generosa.
E a grande promotora disso tudo foi Zilda Arns. Morreu longe do seu país, que tanto serviu.
Morreu amando seus irmãos, no terremoto do Haiti, no dia 13 de janeiro de 2010, em Porto Príncipe.
Fora ali para servir aos irmãos mais distantes. Jesus decidiu chamá-la para o Seu reino.
Heroínas. Quantas mais poderíamos enumerar?
Mas desejamos lembrar as mais anônimas e esquecidas. As que dão à luz a muitos filhos.
E os sustentam. Mulheres que saem de casa quando a madrugada as cumprimenta, para enfrentar longa jornada de trabalho.
Canavieiras, faxineiras, atendentes, executivas. Mulheres de mãos calejadas. Mulheres muito alinhadas.
Esposas e mães que, depois de enfrentarem horas de serviço remunerado, ainda têm tempo para amar.
Têm tempo para serem mães, esposas, filhas, irmãs.
Mulheres que alimentam bocas famintas, que trocam fraldas, que ensinam os reais valores da vida.
Heroínas. Anônimas. Silenciosas, perseverantes.
Promotoras da paz, da vida, do progresso.
Heroínas.

¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E - com base em dados biográficos  de Anita Garibaldi, Maria Quitéria e Zilda Arns. Em 6.9.2016.
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Homenagem ao Imperador


Homenagem ao Imperador

Por ocasião de uma viagem ao Estado do Paraná, D.Pedro II foi hospedado em Ponta Grossa, por um fazendeiro rude, mas trabalhador e leal.
Sem maiores cerimônias, ofereceu um almoço ao Monarca, e disse-lhe:
Senhor Imperador! Eu podia ter feito mais alguma coisa. Podia ter matado mais uma vitela, mais um peru. Mas preferi assinalar de outro modo a vossa passagem por esta terra, e a honra de vir a esta sua casa: libertei todos os meus escravos, cerca de setenta, e peço a Vossa Majestade o favor de lhes entregar as cartas de liberdade!
Ao voltar à corte, o soberano recebeu, do Ministro do Império, os decretos que identificavam as pessoas que o haviam homenageado durante sua excursão. Notou que, para aquele fazendeiro paranaense, havia sido guardado o título da Ordem da Rosa.
Isto é pouco para esse homem. Declarou o Imperador. Faça-o Barão!
Mas, Majestade, - questionou o Ministro, - ele é quase um analfabeto.
Pedro II fitou-o determinado e respondeu:
Não será o primeiro! Esse fazendeiro é um homem muito digno e tem este merecimento. Mande-me o decreto fazendo-o Barão dos Campos Gerais.
A História do Brasil nos traz esta passagem, que revela aos homens a melhor maneira de se homenagear seu Criador, seu Soberano: fazer o bem.
Deus não deseja homenagens vistosas, não deseja cerimoniais luxuosos, sacrifícios humanos. A forma mais bela de reconhecer Sua grandeza, de mostrar como somos gratos por tudo que somos, por tudo que temos, está no amor a Suas criaturas, Seus filhos.
O fazendeiro da história libertou seus escravos. Nós podemos, quem sabe, dar liberdade a quem amamos, procurando erradicar de nossas vidas o ciúme desequilibrado.
Ou doarmo-nos um pouco mais a quem precisa, concedendo alguns instantes de atenção a quem está ao nosso redor, procurando ouvir mais, procurando guardar um tempo em nossos dias atribulados para perguntar Como vai você?, e esperar pela resposta, realmente desejando saber como vai aquela outra vida, aquele próximo.
Não há homenagem mais bela a Deus do que praticar a Lei maior do Universo, a Lei de Amor.
Amando a criatura estaremos amando seu Criador.

Refletindo com Edu!
Admirar, sentir, respeitar a natureza é uma das formas de louvar a Deus.
Procuremos, nos instantes do dia, quando nossos pulmões encontrarem os ares da manhã, fazer uma prece, agradecendo pela vida, por mais um dia, pelo espetáculo belíssimo das obras de Deus a inspirarem nossos corações, concedendo-nos a certeza plena de que estamos protegidos, e de que fazemos parte de um Universo perfeito.

¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E -  com base no livro Chico Xavier, D.Pedro II e o Brasil, de Walter José Faé, ed. Cor.
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Grãos de areia e o tempo


Grãos de areia e o tempo

Você já brincou com uma ampulheta? Aquele instrumento quase lúdico de medir o tempo?
Dificilmente conseguimos ficar indiferentes quando nos deparamos com uma.
Seja por nos remeter às histórias e contos orientais, seja pelo fascínio de vermos os grãos de areia escorrendo intermitente e pacientemente, ou ainda pela harmonia de suas curvas, se insinuando perante o tempo... não há como ficarmos indiferentes.
Ainda hoje utilizada, ela se mostrou instrumento precioso quando não se dispunha de outros medidores de tempo mais precisos.
Utilizada em navios, igrejas e, quando surgiu o telefone, em alguns locais, servia para contar o tempo de uma chamada telefônica.
No Judiciário, era usada para marcar o tempo das sustentações orais dos advogados e, simbolicamente, é utilizada nas artes plásticas para representar a transitoriedade da vida.
Ela tem um princípio simples e básico. A quantidade de areia que escorre constantemente marca um ciclo de tempo.
Quanto maior a quantidade, maior o ciclo que conseguimos marcar. Quanto maior o estrangulamento para a passagem da areia, mais tempo ela levará para escoar.
Nessa observação de grãos de areia escorrendo do recipiente superior para o inferior, podemos nos questionar o que temos feito do tempo de que dispomos.
Um grão de areia parece insignificante, mas cada um deles contribui para a contagem do tempo na ampulheta. Assim é o tempo de nossa vida, nossos segundos, minutos, nossas horas.
Se somarmos as horas, dias e anos, teremos a construção de toda uma vida, conquistas, sonhos e aprendizado.
Mas será sempre o somatório dos nossos minutos, de nossos dias que construirão nosso sonho ou nossa desdita.
O tempo tem algo mágico nele mesmo. Quando se faz futuro, parece demorar tanto para passar, mas basta chegar até nós e se transformar em passado, para ganhar uma velocidade incrível.
Lembramos de como os anos escolares eram demorados para terminar? E hoje, ao nos recordarmos deles, percebemos como foi tudo muito rápido.
E o primeiro ano de Faculdade? Parece que nunca chegaria, e hoje, a formatura já se faz longe.
Dessa forma percebemos que, assim como cada grão da ampulheta cumpre seu papel, cada minuto de nossa vida deve ter sua utilidade.
Cada minuto soma-se aos demais para o objetivo maior da vida, de progresso e aprendizado intelectual e moral.
Por isso, sempre será útil fazermos breves balanços, de tempos em tempos, para sabermos como estamos utilizando nosso tempo.
Rapidamente, ao final do dia, perguntarmo-nos o que nos sucedeu e como as coisas ocorreram.
Ao final do mês, um breve balanço das atividades e objetivos alcançados.
Na conclusão de um ano, repensar o que foi feito e quais conquistas obtivemos.
E também em tantos outros momentos, seja quando algum ciclo se concluir, ou nas despedidas, nas alegrias...
Assim procedendo, conseguiremos saber como nossos grãos de areia da ampulheta da vida são importantes, e como o grande tesouro chamado tempo, dádiva Divina, vem sendo utilizado em nossas mãos. 

¹ Fundador e Autor do Blog: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E - Em 15.2.2013.
³ Fonte imagem : http://www.intercambio7.com.br/sims-e-naos-para-seu-intercambio.jpg