terça-feira, 11 de novembro de 2014

COMO APRENDER A PERDOAR?

Aprendendo a perdoar



Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja companheiros complicados, não significa que deixaremos de nos importar com eles, ou de amá-los ou de perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo compreender, padecer, suportar e admitir.


Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limitar nossa capacidade de perdoar. Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos, manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se nada tivesse acontecendo.
1º - Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em nossa volta está em ruínas.
2º - Perdoar não é “ banalizar e ser conivente” com as condutas inadequadas de parentes e amigos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento maior através do amor incondicional.
Nos, muitas vezes, confundimos o “ato de perdoar” com a negação dos próprios sentimentos, emoções e anseios, reprimindo mágoas e usando supostamente o “perdão” como desculpa para fugir da realidade que, se assumida, poderia como conseqüência alterar toda uma vida de relacionamento.

Para refletir

Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manter-nos a uma certa “distância psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo, porque estamos engajados emocionalmente nesses envolvimentos neuróticos. Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão íntima é profunda.
A mente recheada de idéias desconexas dificulta o perdão, e somente desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento sintoniza o equilíbrio. É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da oração é um método sempre eficaz, restaura-nos os sentimentos de paz e serenidade, propiciando-nos maior facilidade de harmonização interior.
Por nossa capacidade de “gerar imagens” ser fenomenal, é que essas mesmas criações nos fazem ficar presos em “monoidéias”. Desejaríamos tanto esquecer, mas somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção-conseqüência”.

Finalizando para recomeçar...

Não quero afirmar que desligar-se ou desconectar-se nos torna insensíveis e frios, como criaturas totalmente impermeáveis às ofensas e críticas e que vivem sempre numa atmosfera do tipo “ninguém mais vai me atingir ou machucar”. Desligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de alucinações íntimas, de represálias, de desforras ou de problemas que não podemos solucionar no momento.


¹ Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
Contato: edu.com28@yahoo.com.br


Written by Eduardo Campos all rights reserved.

5 comentários:

Anônimo disse...

Olá Eduardo, me responde uma coisa, você psicólogo? Se for onde atende? Gostei muito do teu texto sobre o perdão... Gostaria de dividir contigo uma situação, tenho lutado sempre pelo perdão da minha esposa ,hoje sou um homem de deus tenho buscado a presença de Deus pra minha família sempre ,não tenho vícios ,gosto de ficar em casa ,tenho sempre ido as cultos de domingo ,mas minha esposa continua com a ideia de se separar ir embora dizendo que precisa de tempo pra ela, bem tenho sofrido muito com isso ,estou casado a 10 anos, e amo minha esposa eu e minha filha de 10 anos estamos sentindo muito com isso .gostaria de sua ajuda...

Anônimo disse...

Boa Noite! Gostei muito do seu texto, gostaria de te fazer uma pergunta: Por onde o perdão começa? Será que é pelo pensamento? Como devemos agir para conseguir essa maravilha? Se você puder me dar algumas dicas agradeço. Beijos.

Mario disse...

Realmente Eduardo lendo os comentários no seu face, você foi perfeito mesmo escrevendo esse texto... Como você diz para alcançarmos o perdão real é necessário manter-nos a uma certa “distância psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo... imagina quando nos deparamos com pessoas falsas, hipócritas ao nosso lado que usam de artimanhas mais nos trair pelas costas, mais aprendi com Jesus quando se põe o coração e a confiança em Deus não nos decepcionamos com o homem.

Anônimo disse...

Oi Eduardo o meu marido no passado me traiu varias vezes ele fala que não faz mas isso que e pra mim confiar nele pôs fazemos parte de um grupo da igreja. Gosto muito dele tento perdoa, mas não consigo confiar. O que eu faço?

Anônimo disse...

Eduardo lendo seu texto sobre como perdoar lembrei o quanto sofri muito com uma mágoa que tinha do meu pai, pois ele agredia a minha mãe, a mim e os meus irmãos, e eu não sabia como lidar com isso. Pedi ajuda a amigos, e eles me orientaram a sempre orar por ele. Hoje não moro mais com ele, mas sinto uma grande diferença em minha vida, pois acredito que a distancia psíquica e ajuda de DEUS consegui purificar o meu coração.