segunda-feira, 5 de outubro de 2015

COMPETÊNCIA E HUMILDADE



No dia 14 de março de 2004, um fato ocorrido em Recife, capital pernambucana, no Hospital da Restauração, o maior Pronto-Socorro público do Nordeste, se tornou notícia nacional. A reportagem dizia o seguinte: Uma mulher que levou um tiro no coração sai andando do quarto do hospital! Quem viu a cena ficou imaginando: Como é possível alguém escapar vivo de uma situação dessas? Naquela segunda-feira de carnaval, o cirurgião João Veiga só deveria dar plantão às quatro horas da madrugada. Mas ele teve insônia e resolveu ir mais cedo para o trabalho. Era para chegar na Unidade de Trauma às quatro horas da manhã. Voltei à meia-noite, contou João. Uma hora depois, a turista israelense Moran Bomflek deu entrada na emergência baleada no coração, em estado gravíssimo. Ela não respirava, o coração não batia, a pupila estava dilatada, quer dizer, o cérebro estava sofrendo. Então é morte aparente. Não tinha nenhum reflexo, lembrou o cirurgião.
Um plantonista “menos experiente” poderia ter dado o caso como perdido. Mas João Veiga, dezessete anos de profissão, agiu rápido: abriu o peito de Moran e tentou um procedimento arriscado. Massageou o coração da paciente com as próprias mãos. Eu só fiz puxar um pouquinho o coração para expor melhor a lesão e fiz dois pontos. Costurei a parte atingida e o coração ficou sem bater. Foi aí que eu comecei o procedimento de massagem cardíaca, ou seja, segurar o coração e ficar fazendo um movimento em torno de dois a quatro minutos, relatou o médico. A vida da paciente dependia de uma transfusão de sangue, urgente. O tipo de sangue necessário já estava disponível. Eu tinha pedido, há vinte minutos, sangue para outra paciente que estava estável, mas precisava de sangue e, quando esse sangue chegou para a outra paciente eu usei para ela. O sangue "O" negativo, que foi fundamental, contou Dr. João...

Refletindo com Edu!
Importante lembrar que o médico, que deveria chegar ao hospital somente às quatro horas da madrugada, teve insônia e resolveu ir logo para o trabalho. Somente um profissional que ama o que faz é capaz de tomar uma decisão dessas. Ele poderia ter ficado em casa descansando, assistindo televisão, ouvindo música, fazendo algo para passar o tempo... Mas ele preferiu ir para o hospital. Diga-se, um hospital público.
Não é de admirar que um homem com tamanha competência e humildade, tenha tanto amparo do Alto em suas tarefas. Por causa da sua extremada dedicação, ele havia solicitado sangue para outra paciente e isso o ajudou a salvar uma vida. Sem dúvida, podemos afirmar que não houve sorte nem coincidências. Houve competência e dedicação, aliadas à Providência Divina.
Acostumado a lidar com casos graves, João Veiga não quer ser tratado como herói. Mais uma prova de que ele é realmente um grande homem, um profissional competente e um coração generoso. Ao final da reportagem, João Veiga diz, com simplicidade e sincera humildade: Eu gosto de fazer exatamente isso, foi para isso que eu treinei. Somente pessoas verdadeiramente abnegadas conseguem fazer coisas grandiosas com a naturalidade de quem resolve pequenas questões. Um fato que nos leva a crer que este mundo tem jeito. Que existem profissionais que desempenham suas tarefas com competência e dedicação. E, acima de tudo, que Deus atende Seus filhos através dos Seus filhos, sejam eles médicos, cientistas, agricultores ou simplesmente um homem bom. Pensemos nisso!

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¹ Fundador e Autor: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E - com base em reportagem exibida na Rede Globo, no Programa Fantástico, do dia 14/03/2004.
³ Fonte imagem : http://www.intercambio7.com.br/sims-e-naos-para-seu-intercambio.jpg

Written by Eduardo Campos all rights reserved.

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