quarta-feira, 17 de junho de 2015

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NUNCA ATIROU PEDRINHAS POR AÍ...


A palestra está começando, já estava quase todos os presentes, e uma moça novata da igreja chegou e entra no auditório correndo, afobada que estava atrasada, usando um sapato alto, uma peça de roupa efetivamente curta... Tok tok tok tok (conhecem esse som) e veio, sentou-se na cadeira da frente... Os olhos de muitos dos que estavam presentes (homens e mulheres) se distraíram do palestrante, fitaram a moça de cima a baixo... Todos os que estavam acompanhados com conjugues, filhos ou colegas se cochicharam um no ouvido do outro...

Quando você utilizou ou verbalizou a palavra indulgência pela ultima vez? Quantos aqui se consideram uma pessoa doce? Quantos dos que estão aqui presente gostam de ouvir uma conversa torta? Muitos aqui trabalham fora? Sabe aquele cantinho do café no ambiente de trabalho?
Quem já ouviu uma conversa do tipo: “ vem cá, está sabendo do que aconteceu? Hum vou te contar... te Prepara”...
Quantos que intimamente pensam: Lá vem fulana malhar alguém! E escapole da conversa...
Quantos aqui ficam excitados... “Hum, e me conta agora”...  
Como ficar a nossa posição então diante disso? Qual a nossa posição diante dos erros que sabemos que existe inclusive que pode acarretar entre outros prejuízos a alguém? A gente deve ser omitir diante da maledicência ou ate mesmo do mal feito?

Contextualizando a Indulgência

A indulgência é um dos sentimentos mais elevados que pode ser desenvolvido pelos seres humanos. Caracteriza-se pela compaixão que se demonstra pelo próximo e pelas suas imperfeições. A indulgência implica fazer um juízo suave das fissuras morais alheias, do que os outros fazem ou são e que parece errôneo. É uma questão de valorizar o bem, em vez do mal, e de temperar com certa doçura o próprio refletir sobre o semelhante. Ela se liga diretamente ao raciocínio, ao modo como se processam no íntimo do homem as impressões que ele tem do outro, como ele julga as imperfeições alheias.
Muitas vezes nós temos condições de aplicá-las e exercitá-las com pessoas que nada nos fizeram de mal, nenhum insulto provocaram... Vou dividir um exemplo básico muito comum acontecer em templos religiosos...
A palestra está começando, já estava quase todos os presentes, e uma moça novata da igreja chegou e entra no auditório correndo, afobada que estava atrasada, usando um sapato alto, uma peça de roupa efetivamente curta... Tok tok tok tok (conhecem esse som) e veio, sentou-se na cadeira da frente... Os olhos de muitos dos que estavam presentes (homens e mulheres) se distraíram do palestrante, fitaram a moça de cima a baixo... Todos os que estavam acompanhados com conjugues, filhos ou colegas se cochicharam um no ouvido do outro...
Pergunta quem não quer calar: o que essa moça fez pra ti?
Absolutamente nada... Mas o meu extinto moral, viciado em apontar tudo aquilo que eu enxergo com o mal, precisa ser comentado “que eu não faria isso, e nem me vestiria daquele jeito” logo eu sou melhor, olhar que ridículo... 
Se eu não consigo aplicar indulgência pra alguém que não me fez absolutamente nada, ela não sabe que cada um de nós existimos, não foi por nós que ela se vestiu, não foi pra nossa aprovação, nem para nos insultar, mesmo assim me incomodou...
Como é que vou conseguir aplicar indulgência nas coisas que realmente me aranhe e belisca?
Se eu não consigo aplicar indulgência, como vou aplicar o perdão? Quando eu sou absolutamente lesado, ofendido e prejudicado...

Pedagogicamente precisamos fazer diferente.

O meu dia-a-dia oferece oportunidade para que eu possa ser indulgente? Em casa, com os familiares (não humilhe o filho na presença de outros irmãos, o pai não deve chamar atenção da mãe diante dos filhos); no serviço (não chame atenção de um colega de trabalho para que ele não se sinta desprestigiado diante da equipe); na Escola (o professor em relação ao alunos), com os companheiros; na rua, com a multidão; a todo o momento nos defrontamos com surpresas atordoantes.
Tiramos a censura dos lábios e substitua por conselhos, quase sempre velados (não humilhe a pessoa) ora se no meu rigor, se no meu pragmatismo eu preciso ser acido em chama atenção, e apontar o erro... Todo mundo não sabe na pele o quanto isso dói? Muito mais pela exposição ao ridículo, do que aquilo que ouviu, não é verdade? Ou seja, não é o que você falou que estou brigando, mas pela maneira com que você fez... Nas ocasiões em que você precisa se mostrar, mais enérgico, evite a rispidez e a agressividade, tão comuns ainda em nossos atos cotidianos.

Sabe qual é o fruto e proveito de ser indulgente?

1º - Agindo com indulgencia eu acalmo a pessoa, eu a aproximo de mim e finalmente eu a sensibilizo para corrigir.
2º - A indulgência espalha a oportunidade de reabilitação ao ofensor, mas também pacifica o coração daquele que a oferece.
3º - Ela implica fazer um juízo suave, lançar um olhar generoso ao próximo.
4º - A indulgência pressupõe valorizar o bem em vez do mal, relevar os equívocos e compreender a fragilidade natural de todo ser humano.
5º - O sentimento da indulgência é suave, saboroso, tranquilizador e fraterno, próprio de irmãos, de seres que se gostam, que se sentem ligados. Nada tem de amargor e de ásperas reprimendas.
6º - A indulgência sacia a sede de compreensão e acalma o coração por vezes atormentado pela culpa.
7º - Ela atrai quem mais necessita de amparo e compreensão.
8º - E especialmente ergue em direção ao refazimento do caminho, à reparação dos erros praticados.
9º - O esforço em ver o próximo de forma positiva torna mais fácil gostar dele e estabelecer vínculos de genuína fraternidade, na medida em que ninguém almeja ser amigo de réprobos, mas, sim, de criaturas dignas.
10º - Permite que perdoemos as ofensas que nos atingem.
11º - Ao mesmo tempo, proporciona ao ofensor a possibilidade de reabilitar-se por meio de ações meritórias que o ajudam na reconquista de si mesmo.
12º - Os costumes se modificam, a velha rotina se quebra, as normas do relacionamento humano se subvertem.
13º - Acredite o mundo ficar melhor, por mais que tudo nos pareça errado, a verdade é que ele muda para melhor, sob o impulso irrefreável das leis da evolução.

E quando eu não uso a indulgencia?

1º – Agente irrita a pessoa;
2º – Agente desanima o outro;
3º – E a pior das consequências, que tornas as relações frustradas e comprometidas, nos afastamos as pessoas de nós.
4º - Trata-se de uma eloquente verdade, pois ninguém aprecia ficar perto de uma pessoa severa, que só percebe e valoriza os defeitos alheios.
5º - É desagradável sentir-se criticado, não apreciado, sem falar que ter as próprias dificuldades ressaltadas desanima, a ponto de muitas vezes surgir o raciocínio de que nada mais há para fazer: é-se um caso perdido! Ao contrário, quando as virtudes de alguém são valorizadas, ele se considera digno e ganha forças para ser melhor e lutar contra suas fraquezas, que se tornam apenas um detalhe.

Como saber se sou uma pessoa indulgente ou é maledicente?

Se alguém mostra-se um acusador cruel e rebelde, atacando os demais com injúrias e recriminações violentas, pode ele ser merecedor de indulgência?
Se outro esmaga o fraco que se encontra sob sua dependência, também este opressor demonstra estar necessitando de grande dose de indulgência?
Se uma pessoa se alegra com o sofrimento daquele que elegeu como adversário, perseguindo-o sem trégua, carece também ele de indulgência?
Se a criatura é ingrata e soberba, esquecendo-se de todo o bem que tem recebido, porque se encontra momentaneamente em posição confortável, também esta prova ser carecedora da indulgência?

Resposta

A indulgência não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los.
( JOSÉ Bordeaux, 1863)

Observa-se aí um genuíno esforço em valorizar o bem que há no próximo, perante si mesmo e perante terceiros. Faz-se efetiva opção de ver o semelhante de forma positiva, considerá-lo digno e valioso, malgrado seus problemas.

Finalizando para recomeçar

Uma dica para finalizar nosso bate papo, é não termos medo de conviver com as pessoas, não fugirmos do mundo, da sociedade, das pessoas diferentes, das pessoas difíceis..
Precisamos compreender os outros, entender as situações alheias e auxiliar sempre para sermos também auxiliados. Os imperativos da indulgência decorrem da necessidade de convivência, são através delas que crescemos...
Compreender, perdoar e ajudar é a única maneira de cumprirmos os nossos deveres de pais, de filhos, de irmãos, à luz dos princípios cristãos.

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¹ Fundador e Autor: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : Joanna de Ângelis Lições para a felicidade:  
³ Fonte imagem : http://blog.drpepper.com.br/up/d/dr/blog.drpepper.com.br
Livro de Referência: KARDEC, Allan. Tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho segundo o Espiritismo. 3ª ed. especial. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005.
Written by Eduardo Campos all rights reserved.


19 comentários:

Anônimo disse...

Muito correto, muito lúcido, mas difícil também, há de ser querer buscar nestes momentos uma fé e força quase impossíveis nos dias de hoje.

Elizabeth disse...

Acho que seu post veio no momento certo e para mim Eduardo. Ando tão sem paciência, só atirando pedrinhas por ai... Preciso mudar, pois nem eu mesma ando me aturando, imagina os outros :(

Eduardo disse...

Bom Dia Elizabeth! Precisamos mudar minha amiga! Que tal e começarmos a atirar florzinhas por ai?

Elizabeth disse...

Hooo Eduardo concordo com você... A reflexão é muito boa! Mas na minha atual situação não há como negar que em muitos momentos, existe a vontade de atirar a primeira flor, desde que ela esteja dentro de um vaso! Você me entende...

Eduardo disse...

Hooo Elizabeth... Mas agindo assim, as coisas ficarão ainda mais desandadas você há de concorda comigo... A iniciativa de mudança, de ajudar ao próximo, deve sempre partir de nós. Às vezes Elizabeth, recuar e tentar apaziguar as coisas é bem mais difícil do que lutar! Pense nisso!

Anônimo disse...

Bom dia Eduardo, lindo sua resposta... Seria tão bom se todos que fossem atirar uma pedra atirasse uma flor, peço a Deus que nunca eu venha atirar uma pedra em alguém pois isso não só iria machucar a outra pessoa, mais iria me machucar mais ainda.

Anônimo disse...

Nada mais lindo do que atirar flores, sobre todas as mazelas, sobre a intolerância, a falta de gentileza, sobre o desamor. Um mundo de afagos entre as pessoas, Colocar uma flor bem vermelha nas mãos do carrasco de nossas emoções. Um mundo florido, que respire amor e poesia. Tudo que sonhamos e queremos, para uma vida leve e alegre. Sabia sua resposta a amiga Elizabeth! Gostei.

Anônimo disse...

De acusadores o mundo anda repleto... Gostei disso... Que Deus nos ponha do lado de quem atira flores na humanidade inteira!!!

Liana Brener disse...

Oi, Eduado. Bom Dia! Uma belíssima reflexão para se começar a quarta feira. Um grande presente! Obrigada. Que todos nós juntos possamos atirar somente flores em vez de pedra, que assim seja amigo.

Seleste Negrão disse...

Parabéns Edu! Eu fico de boca aberta diante de tanta sabedoria, você é uma pedra preciosa... Tenho muito orgulho de você... Porque você não faz psicologia edu? Ou quem sabe teologia para ser um Pastor para ganhar almas para Jesus.

Liana Brener disse...

Seleste o Edu já um Psicologo em sua essência... E olha que melhor do que alguns psicólogos (especialista e mestres ) que conheço...

Anônimo disse...

Gosto de ler suas respostas Eduardo , gosto de ver teus conselhos o que eles passam... A vida já é cheia de tribulações , principalmente quando queremos mudar situações que a anos nos fazem sofrer, atirar flor , fazer o que é melhor é sempre uma tarefa difícil , mas com certeza com uma grande recompensa. Tenha uma florida semana.

Anônimo disse...

Que as flores do amor e compreensão consigam quebrar as pedras da indiferença.
Maravilhosa resposta Eduardo Campos.

Anônimo disse...

Fiquei imaginando aqui Eduardo, o mundo sem a vingança, revolta, e puro amor,.. assim seria se todos atirassem um flor, se cada um refletissem nessa sua sabia resposta, as coisas com certeza seriam melhores, se cada um planta-se uma semente, com certeza um dia colheria lindas flores, que cada um possa pensar se não vale a pena deixar tudo inferior de lado como a maledicência ,ódio, disputa, fofoca, enredo, calunia etc... e amar ,devolvendo o mal com o bem e assim por diante.

Anônimo disse...

Sabe, seria tão bom, se todo o mundo pudesse ter atitudes assim,, quem sabe o mundo não seria diferente e ao invés de pedras, viveríamos submersos apenas em flores...

Anônimo disse...

Geralmente estamos acostumados a pagar com a mesma moeda. A mídia nos ensina isso. Feliz de quem tem a capacidade e consegue devolver com boas atitudes tudo o que recebe de ruim. Parabéns pela sua dica!

Anônimo disse...

Nossa Edu, muito refletivo, texto inspirador... Que façamos sempre a diferença e optemos sempre pelo o melhor caminho, quando achamos que tudo está perdido sempre há o outro lado, basta observar com carinho...

Anônimo disse...

Que possamos fazer aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Lindo texto!!

Miriane disse...

Precisamos compreender os outros, entender as situações alheias e auxiliar sempre para sermos também auxiliados. Os imperativos da indulgência decorrem da necessidade de convivência, são através delas que crescemos...
Compreender, perdoar e ajudar é a única maneira de cumprirmos os nossos deveres de pais, de filhos, de irmãos, à luz dos princípios cristãos.