sexta-feira, 1 de maio de 2015

Elaborando as experiencias dolorosas do passado

Experiencias dolorosas do passado



“Ler o seu texto reportou-me a um período da minha vida em que vivi muito fortemente este medo de amar. Medo de amar no sentido de manifestar o que sentia, por que temia não ser correspondida, amada da maneira que desejava ser amada. Não acreditava que o amor verdadeiro existisse. Não admitia que em uma relação pudesse existir um amor complementaridade, amor respeito, amor diálogo, amor partilha, amor que se sacrifica pelo bem do outro, amor que respeita, amor doação, amor companheirismo, amor, amor no verdadeiro sentido da palavra”.
Sofia

Experiências dolorosas do passado podem provocar um medo absurdo de novos sofrimentos. As pessoas se esquecem de que nem todos os fios estão eletrificados e continuam com medo de sofre (medo de um novo choque), em virtude da rejeição. Tornan-se pessoas fechada, cheio de reservas e desconfianças. Rejeita de antemão, o amor que alguém gratuitamente lhe possa oferecer.
Nem todos, porém, são aproveitadores. Nem todos têm “segundas intenções”. Nem todos os fios dão choque. Ainda há, graças a Deus, gente que sabe amar. Gente que nos reserva a sua ternura e atenção.
Devido a algumas experiências de rejeição e de desqualificação na infância, na adolescência ou até na maturidade, reagimos perante homens e mulheres como se eles fossem os senhores do bem e do mal, com poder de nos fazer sofrer ou de nos fazer felizes.
Por falta de amor, compreensão e segurança, a criança pode desenvolver-se com um caráter inquieto, tornar-se incapaz de dar felicidade a si mesma ou a quem quer que seja, envergonhando-se do amor que sente por alguém, da mesma maneira que se sentia inadequada em pedir, mais uma vez, que o pai brincasse com ela, mesmo sabendo que a resposta seria negativa.
Para refletir...
É verdade que um grande amor sempre traz consigo a possibilidade de uma dolorosa perda. Uma das poucas certezas que se tem numa relação é a de que ela pode terminar. Essa duvida vai acompanhar o coração do amante a cada encontro e a cada despedida. E quem não aprender a conviver com essa fragilidade tenderá a estruturar relações de pouca profundidade e fadadas a um fim próximo. Por ter medo do muito que o amor pode dar, e tirar, rejeita-o em bloco.
Na vivência do ponto de equilíbrio, o medo não se faz consciente. E o equilíbrio varia de pessoa para pessoa, dependendo de como, quanto e quando alguém foi rejeitado ou abandonado no passado ou se sentiu inseguro. Na infância, a maioria de nós tomou alguns choques de rejeição. Se não a rejeição real, ao menos a percepção de que estávamos sendo rejeitados, o que para efeitos psicológicos, é praticamente a mesma coisa.
O degrau mais próximo do sentimento de rejeição é a solidão. Poucas pessoas suportam a experiência máxima de solidão ou de medo da rejeição. Então a saída é ficar no ponto de equilíbrio, entre a solidão e um grande amor, onde há a sensação de que tudo está bem.
Finalizando para recomeçar
Quando aparece a necessidade ou quando existe a "ameaça" de avançar e comprometer-se um pouco mais na relação, a pessoa se sente sufocada (ela se as susta), volta correndo e fica sozinha. Na maioria dos casamentos, por exemplo, as pessoas mantêm um perigoso equilíbrio da solidão a dois. E a conseqüência é sentir- se incômodo, prisioneiro, sem liberdade, sem espaço. Em geral, as brigas ou o esvaziamento da relação, iniciam-se com um movimento de afasta-se mais um pouco quando se percebe que o equilíbrio está a ponto de terminar... Poucas pessoas, realmente, chegam a se permitir saboreá a relação. A maior parte se acomoda no ponto de equilíbrio.
Penso que no fundo, todo mundo quer ser feliz. Ninguém faz alguma coisa para não se contentar. Quem semeia, espera colher, isto é da lei. Dou um sorriso, esperando um sorriso de volta. Somos assim. A carência afetiva esta na raiz dos nossos problemas de relacionamento; queremos ser amados, completados, protegidos... Carecemos, no entanto, de sair, de nos desalojar das expectativas em relação às pessoas. Tomemos a decisão de semear e não e não tenhamos pressa com relação a colheita. No tempo, toda semente responderá, pois toda semente anseia por florescer. Acredito sinceramente que a solução está no que Jesus nos ensinou: enquanto não amarmos desinteressadamente e não tomarmos a iniciativa de amar, de uma prova passaremos a outra e nos prenderemos num circulo vicioso...

¹ Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
Contato: edu.com28@yahoo.com.br
³ Fonte imagem : http://3.bp.blogspot.com/--1600/dor-do-amor1.jpg

Written by Eduardo Campos all rights reserved.

8 comentários:

Anônimo disse...

Depois que pude conhecer o trabalho desse blog maravilhoso, pude perceber a necessidade de boas palavras em momentos incertos. Minhas noites agora não são mais a mesma de antes. As palavras ditas são armazenadas no meu inconsciente, e são colocadas em ação quando menos se espera. Obrigado pela forma que entraram em minha vida.

Anônimo disse...

Como de costume um texto cheio de sentimento e para reflexão.

Anônimo disse...

Obrigada pelo seu conselho Edu, com certeza ele abriu e muito meus olhos! Estou mais animada.

Anônimo disse...

Eduardo! É fogo essa tal escrita. Rs Ela nos liberta e ao mesmo tempo condena , chora e rir de nos mesmos...

Anônimo disse...

Legal, meu amigo!Achei o seu texto excelente, veio de encontro a tudo que penso e acredito. Parabéns Eduardo!

Anônimo disse...

Eduardo o medo de se machucar, faz muitas pessoas se fecharem e não expressarem seus sentimentos.mas gostei muito de sua fala "nem todo fio da choque" adorei rs.

Erika disse...

Agradeço pela boa leitura que me faz refletir bastante e como sempre toca no meu coração e na necessidade de corrigir certos comportamentos e sentimentos. Nem todos os fios dão choque. Adorei, bjs migo

zaruk disse...

Muito bons os textos, legal saber que há pessoas engajadas em propor no outro o encontro de si...Parabéns! Gostei muito.