domingo, 26 de julho de 2015

Ao meu avô Manoel (In Memoria)


Meu Avô era um homem alegre.
Gostava de música, de dança, de estar com amigos, conversar, contar causos.           E ele os tinha às centenas. Toda vez que retornava do sitio, os filhos, eram sete e um neto que adotou com filho o Dudu, nos reuníamos em torno da mesa, na cozinha ampla, para ouvi-lo.
Ele contava causos de forma pausada. Ia descrevendo as cenas, uma a uma, reproduzia os diálogos.                                                     
Por vezes, meu irmão e eu, mais impacientes, o interrompíamos: E daí, o que aconteceu? Conta logo. Ele sorria mostrando seus dentes curtos, bem moldados. E continuava com a mesma calma, até o desfecho da história.                                           
Tê-lo em casa era muito bom e significava que iria dormir na cama deles (pais). Por vezes, nossa mãe (minha vó) me dizia que desejava ficar a sós com ele. Mas, mal despertava a madrugada, corria para o quarto e se enfiava entre os dois. Ele acordava e brincava comigo, fazendo cócegas. Era uma festa! Ele sempre me convidava para ir com ele para o sitio nos finais de semana. Meu Avô! Quantas saudades!                                                Ele não era letrado. Desde bem jovem conhecera o trabalho duro. Era pescador, Agricultor, Marceneiro, tocador  e cantor de carimbó...         
Constituíra família cedo e os oito filhos lhe exigiam que desse o máximo de si. Insistia que precisávamos estudar. E estudar muito. A duras penas, encaminhou para cada um de nós o ensino fundamental... Meus irmãos não chegaram a tanto, mas fomos brindados com o que ele tinha de mais precioso. Ensinou-nos a honestidade, ensinou-nos que melhor era ser enganado do que enganar.                                                                                     Viveu no tempo em que a palavra de um homem era documento mais válido do que nota promissória, duplicata ou qualquer título financeiro.                            
Legou-nos um nome honrado e disse-nos que o dignificássemos, ao longo de nossa vida. Olhava para mim, com orgulho e dizia: Um dia você será uma pessoa muito importante!    Hoje, quando viajo pelas estradas, muitas delas velhas desconhecidas de meu Avô, eu o recordo. Será que ele sabia que um dia eu seria alguém que viajaria, esclarecendo pessoas, palestrando, ofertando cursos?                                                                   Ele não conheceu todos os netos. Partiu para a Espiritualidade, em anos jovens, deixando-nos um grande silêncio n'alma.                                                               
Em homenagem a ele, em nossos almoço, nas festas de Natal e Ano Novo, nos encontramos.                                                                                                                     Rimos, ouvimos música, dançamos. Porque ele nos ensinou a sermos assim. A vida é dura, mas nós a podemos adoçar, se quisermos. - É o que dizia.                      
Meu Avô, meu mestre, onde estejas, Deus te guarde.                                              Especialmente nesta época em que os avós são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes.                                                                                                   
Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão: Obrigado por nos terdes dado a vida.                                                                                  
Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.

Eduardo Campos Em 26.07.2015.

2 comentários:

Helena disse...

Olá Edu! Linda sua Homenagem, sua memorias, sua palavras... a LUZ que a que vc transmite…

Anônimo disse...

Como é bom saber de suas memorias Edu! tenho certeza que ele onde estiver, tem orgulho do neto e filho maravilhoso Que você é Edu! muito Feliz com a homenagem!