domingo, 9 de agosto de 2015

O NASCIMENTO DE UM PAI




Foi um encontro discreto do afeto com o amor... Ela não tinha um teto... Tinha nome de sabedoria e vivia cercada de palavras, adjetivos, substantivos, verbos e advérbios... Alguns chegam sem jeito, mas ela chegou com doçura... Quebrou minha armadura e se alojou no meu peito... Nas historia de amor não há apenas o amor... Nunca dissemos... “eu te amo”, no entanto,  nos amamos... Não é uma historia comum... Ela escreveu pra mim... Ela era frágil como uma flor... Sentada naquela praça... Cercadas de palavras de nome comuns como eu... Me deu muitos livros que me tornaram mas vivo...

Sempre pensei que todos os dias pudessem ser apenas um dia como qualquer outro, mas nunca pensei que um encontro podia mudar tudo, aliás, não só um dia, mas todos os dias que se seguiriam então.
Sempre pensei que a oportunidade surgiria no tempo certo. O que não pensei é que junto com ela surgiriam também incertezas e a sensação de não se saber mais nada sobre o que poderia vir a acontecer.
Sempre pensei que (3) três meses somariam uma espera longa para um sonho, mas descobri que um único dia pode parecer mais longo do que tantos meses.
Sempre pensei que objetivo é determinação, e determinação é coragem, mas descobri que coragem é tudo que se precisa num momento desse.
Sempre sonhei com o dia em que veria meu filho nascer. Mas o que não sabia era que um filho pode nascer para um pai já tendo três meses ou quem sabe cinco anos?
Sempre pensei sobre como seria passar nove meses treinando sobre como se tornar um pai, mas o que eu não sabia é que se pode acordar um dia e descobrir que já se é pai.
Sempre pensei que existia um manual sobre o que um pai deve fazer, mas descobri que o manual está dentro de nós mesmos e que um dia simplesmente sabemos tudo o que deve ser feito.
Sempre pensei que chegaria o dia em que seríamos apresentados, o que não pensei é que uma frase ecoaria na minha mente sem que pudesse esquecer: “E essa é sua” Foi nesse momento que compreendi que tudo realmente tinha mudado e que toda a espera fez sentido.
Sempre pensei sobre como as pessoas são engraçadas. Todos olham para você e pensam que sua vida é perfeita e que não lhe falta nada. Pensam que dor se sente somente por quem perdeu e não por quem nunca teve. E assim deixam de enxergar o vazio dentro daquele que simplesmente queria ouvir: “papai”.
Sempre pensei que na vida, a todo o momento, tiramos novas lições.
Estava certo, pois:
- Aprendi que o filho está no coração.
- Aprendi que se pode passar o dia todo pensando simplesmente no momento de chegar a casa e ver um sorriso.
- Aprendi que não existe esforço que não valha à pena.
- Aprendi que por mais que amemos alguém, notamos que surge outro alguém que não imaginássemos também amar, multiplicando o sentimento que outrora se limitava.
- Aprendi que a adoção não é um gesto de amor para uma criança e sim o gesto de amor de uma criança para com seus pais.
- Aprendi, por fim, a maior de todas as lições, de que não fui eu que adotei a Sophie como filha e sim ela que me adotou, permitindo meu nascimento como pai.

Um texto fictício, mas um sonho com sentimentos reais. Dedicada a minha primeira filha do coração Sophie..


Belém-Pa, dia 09 de Agosto/2015 03:27h.

Eduardo Campos Bechara


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