DIÁLOGO X MONÓLOGO: Namoro, Noivado e casamento!


Sabe por que muitas pessoas têm dificuldade de conversar com alguém? Porque vivem eternamente em diálogos internos, conversando consigo mesmas, sem perceber que o outro está na sua frente, abrindo o coração. Muitas vezes as pessoas não percebem as mudanças no outro porque já definiram, dentro de si, o que o outro é, deveria ser ou vai ser. Não notam que, todos os dias, a pessoa amada muda um pouco. Mas um dia, de repente, descobrem que ela mudou tanto que se tornou impossível agüentá-la e que é preciso ir embora.

É fundamental, para o casal cultivar diálogos francos e abertos sobre suas concordâncias e divergências, sobre suas alegrias e dores, sobre os problemas e suas soluções e sobre o amor que os une. E, no entanto, dialogar talvez seja o que menos façamos. Acredito que muitos casais, ao invés de um diálogo, entregam-se a dois monólogos simultâneos.
Na figura da Esfinge, há um simbolo que se refere a quatro palavras muito importantes: saber, querer, ousar e calar. Penso eu que o cala é das atitudes mais difíceis e uma das mais importantes para o diálogo. E apenas quando conseguimos calar verdadeiramente conseguimos escutar o outro. O jejum de palavras é jejum mais ameaçador para o ser humano. Porque vamos não apenas ouvir o outro, mas também ouvir a nós próprios.
O jejum verbal não é de emitir sons sob a forma de palavras, mas estar atento ao que o outro quer dizer. É estar ligado, não apenas  no entendimento do que o outro está dizendo, mas no que significa, o que representa para ele tudo aquilo que está falando. Da mesma forma, é entender a sim mesmo.
Se o seu companheiro olha para você e diz que está triste, qualquer que seja o motivo, e, por suas próprias dificuldades, não tem coragem de lhe pedir um abraço, um aconchego, você poderá notar essa necessidade, através de seus olhos se estiver sintonizado com ele. Então, poderá se aproximar suavemente, oferecendo-lhe o ombro para que ele possa chorar. Do mesmo modo, se ele estiver muito irritado e você perceber que há algo errado, que você não sabe que é ou definir, em vez de tomar para si as agressões poderá dizer: "Sinto que você tem algum problema. Quero ouvi-lo para poder ajudá-lo".
Nesse momento, você estará calando para entender o outro. Calar para escutar é a busca da sintonia com o outro. O jejum de palavras é também a eliminação das palavras dispensáveis e a expressão apenas das que são necessárias a cada momento. Saber calar é não se esconder atrás de palavras vazias; é estar com a atenção volta da para distinguir o que é real do que é fantasia, o que é fruto da imaginação e o que de fato existe.

Para Refletir
Imagine que você amanhã depois do café, estará envolvido em uma confrontação  com a pessoa que você ama. Isso poderá ser constrangedor, senão doloroso. Você sente um profundo afeto por ela, mas começou a ter percepção de que está prestes a perdê-la. Hoje você lhe contou seus temores, e a resposta seca que recebeu foi: Amanhã nós conversamos". Sua expectativa é muito grande...
Eu te pergunto: O que você faria ou pensaria hoje sobre o que vai acontecer amanhã?
Não faça nada... não faça coisa alguma. Não pense nem pressuponha nada, para não se contaminar com fantasias e tomar uma atitude defensiva que poderá distorce tudo o que foi dito. Apenas escute a si próprio... Sinta suas emoções e perceba o que a outra pessoa representa para você. Só depois de saber o que realmente está acontecendo com você é que poderá dizer ou fazer alguma coisa, baseado nos seus sentimentos. Poderá lutar pelo seu amor e, se perdê-lo, vai precisar calar uma vez mais para dar espaço à sua dor e para senti-la. E, depois que ela se esgotar, você precisará calar novamente e se preparar para renovar o seu amor.
Os diálogos internos funcionam a partir de um pensamento, que gera um sentimento e uma consequente conduta. Se alguém pensa que o outro não gosta dele, sem nenhum dado real, apenas por uma percepção, poderá ficar muito triste ou deprimido. Tal sentimento levará a pessoa a se afastar mais e mais de quem ama, conduta esta  que só vai reforçar o pensamento de que o outro não gosta dela. Esse processo é uma retroalimentação permanente do pensamento, que potencializará mais emoções e firmará mais a conduta.
Da mesma forma que podemos usar os diálogos internos para amargurar nossa vida, temos possibilidade de usá-los para elava a nossa auto estima, quando buscamos, dentro de nós, a nossa verdade e as metas que nos propormos atingir, dentro de nossas limitações e de nossa realidade.

Finalizando para Recomeçar
Agir com base em pressupostos é nos atirar a alguma empreitada arriscada. É importante checar o que é real e o que é apenas fruto de nossa imaginação. É apenas o diálogo claro, direto e objetivo nos leva a esclarecer os pontos obscuros. Quando duas pessoas estão dialogando, a predisposição de ambas é encontrar soluções, trocar informações, estar interessadas uma no assunto da outra, mesmo que o tema seja doloroso. Em geral, dialogar com o outro dói menos do que se imagina.
Quando há um problema relacionado com a vida do casal, é importante que sejam apresentadas, além da dificuldade, uma ou duas opções de soluções possíveis, com o cuidado de não se entrar em um “bate-boca” em torno de “culpados x responsabilidades”.

¹ Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
Contato: edu.com28@yahoo.com.br
³ Fonte imagem : http://veja.abril.com.br/051207/imagens/medicina4.jpg


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