sábado, 15 de agosto de 2015

Pai, quer um sorvete de casquinha hoje?




Qual será o melhor método para se ensinar a virtude da gratidão aos filhos? Haverá uma fórmula especial que dê resultado garantido?
Deixe-me conta uma historinha... Ele e o pai costumavam passear juntos aos sábados. Nada espetacular. Simplesmente uma ida ao parque, ou à marina para olhar os barcos.
Por vezes, uma visita em lojas de bugigangas, só para comprar aparelhos eletrônicos baratos, para desmontá-los ao chegar em casa e verificar seu sistema de funcionamento.
Algumas vezes havia uma parada na sorveteria. Dudu nunca sabia se o pai iria ou não parar na sorveteria. Por isso, esperava ansioso, na volta para casa, que o pai enveredasse por aquela esquina decisiva. A esquina que significava animação e água na boca.
O pai do Dudu, por vezes, tomava o caminho mais longo. Dizia que era para mudar um pouco o trajeto. Em verdade, parecia um jogo, onde ele ficava testando o autocontrole do filho.
Quando chegava na esquina, ele oferecia:
Quer um sorvete de casquinha?
O Dudu sempre pedia sorvete de Bacuri, e o pai, de açai. Andavam devagar até o carro e ficavam saboreando o sorvete. Para o garoto, aquilo era o paraíso.
Certo dia, em que rumando para casa, passavam pela esquina, o pai perguntou: E aí, quer um sorvete de casquinha hoje?
Boa pedida! Disse Dudu.
Também acho, concordou o pai. Não quer pagar hoje?
O sorvete custava então dois reais. A cabeça de Dudu começou a girar. Ele podia pagar. Ganhava uma mesada semanal de quinze reais, mais uns trocados por serviços eventuais.
Mas ele queria economizar. Economizar era importante. E, por se tratar do seu dinheiro, Dudu achou que sorvete não era um bom investimento.
E aí ele disse as palavras mais “feias” que podia ter dito naquele momento: Bom, nesse caso, acho que vou desistir.
A resposta do pai foi lacônica. Concordou e começou a andar em direção ao carro estacionado. Assim que fizeram a curva a caminho de casa, o garoto percebeu o quanto estava errado.
Como ele pudera ser tão mesquinho? Seu pai já perdera a conta de quantos sorvetes lhe pagara e ele nunca comprara nenhum para ele. Como ele pudera perder aquela oportunidade rara de dar alguma coisa àquele pai tão generoso?
Pediu ao pai que voltasse. Em vão. Dudu ficou se sentindo péssimo por seu egoísmo, sua ingratidão. Foram para casa.
Aquela semana foi terrível, longa, angustiante. O pai não agiu como se estivesse desapontado ou desiludido. Contudo, o garoto pensava e pensava.
No final de semana seguinte, quando fizeram o novo passeio, ele fez questão de conduzir o pai até à sorveteria e lhe oferecer, sorrindo: Pai, quer um sorvete de casquinha hoje? Eu pago!
Naqueles dias, Dudu aprendeu que a generosidade tem mão dupla, que a gratidão algumas vezes custa um pouco mais do que um simples obrigado. No seu caso específico, lhe custou dois reais. E lhe valeu uma lição para a vida.
Pense com Edu!
No processo da educação, quase sempre um gesto tem efeito mais poderoso do que muitas palavras. A sabedoria está, para o educador, em saber usar as palavras certas, nos momentos adequados e a utilizar a eloquência do silêncio, nas horas precisas.

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¹ Fundador e Autor: Eduardo Campos, Técnico em Gestão Pública: Pedagogo, Esp. em Docência do Ensino Superior – PROEJA  e Educação em Saúde. Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia-GEPERUAZ/UFPA
² Fonte texto : R M E - O custo da gratidão, de Randal Jones
³ Fonte imagem : http://juad.org/wp-content/uploads/2011/01/obrigado-300x189.jpg
Livro de Referência: Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Kimberly Kirberger, ed. Sextante. Em 31.01.2010.

Written by Eduardo Campos all rights reserved.


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